quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025
sábado, 4 de maio de 2024
Saudades do futuro
"O português vai ser o que tiver que ser! Nem tem que perguntar se pode. Essa história de perguntarem se eu acho que Portugal pode ser alguma coisa, não tem sentido. Eu quero lá saber se pode ou não pode! Sei que tem de fazer. É uma questão de inventarmos o futuro. Se quiser: sonhar o futuro, como se costuma dizer. Mas eu gosto mais de falar como o Frei Luís de Sousa diz do Bartolomeu de Mártires: ter saudades do futuro. Em lugar de andar a ter saudades do passado - que só serve para fazer o fado e outras coisas semelhantes que não me interessam para nada - é preciso passar a ter saudades do futuro, e ver de que futuro é que tem que se ter saudades."
Agostinho da Silva, A NOSSA OBRIGAÇÃO É SER POETA À SOLTA
fonte: Margarida Belchior
E eu ainda não estou no futuro mas já tenho saudades do presente.
sábado, 14 de janeiro de 2023
Sê o que és e torna-te contagioso
quarta-feira, 13 de abril de 2022
Tornar alguém melhor…
![]() |
Agostinho da Silva |
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
O marinheiro e monge que não fui
Morrer dormir dormir sonhar
pode não ser mais nada senão verso
ou destino a querer até inverso
quando por minha vez eu lá chegar
poeirinha do céu gota de mar
em constante mudar me vejo imerso
na própria vida em sonho me disperso
e livre no que seja vou entrar
talvez nunca me lembre ter vivido
talvez nunca me pense renascido
mas alma em rio eterno que flui
diferente de todas me afirmando
e num golpe de luz recuperando
o marinheiro e monge que não fui.
Agostinho da Silva, UNS POEMAS DE AGOSTINHO, Ulmeiro, Lisboa, 1997, p. 58.
segunda-feira, 3 de maio de 2021
terça-feira, 6 de abril de 2021
A última revelação
"A última [revelação], a que nos abrirá plenamente portas de glória que serão ao mesmo tempo para o mundo e para fora dele, que serão simultaneamente de tempo e de eternidade, de individual e colectivo, de santidade estendendo-se na horizontalidade de todo o planeta e na total verticalidade de cada homem, e acabando assim com todas as falsas antinomias que, pela sua duração na História, se tinham quase visto como inerentes à própria natureza da Humanidade e do mundo; a última revelação, essa virá de nós para nós mesmos, e ninguém dará por ela a não sermos nós. Será como que o pleno lembrar-se daquele reino de pura essência de que falou Platão; e aquela plena transformação do homem de que Jesus falou."
- Agostinho da Silva, SÓ AJUSTAMENTOS, 1962, IN TEXTOS E ENSAIOS FILOSÓFICOS, II, Âncora Editora, 1999, p. 137.
Mural da Associação Agostinho da Silva
segunda-feira, 4 de janeiro de 2021
mudar o mundo...
na linha de Agostinho da Silva!
domingo, 20 de setembro de 2020
A revolução
![]() |
sábado, 2 de novembro de 2019
Essência
na proporção exacta do valor da sua personalidade.
Pois na solidão o indivíduo mesquinho
sente toda a sua mesquinhez,
o grande espírito toda a sua grandeza;
numa palavra: cada um sente o que é.''
- Agostinho da Silva
quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Revolução
"(…) Há, talvez, duas espécies de revolução: uma é a de mudar o mundo (...), a outra a de mudar cada pessoa (...), a revolução pessoal, que tem no Ocidente os exemplos de São Paulo ou São Francisco, e no Oriente o caso de Buda e de, quase em nosso tempo, Ramakrishna. (...) Quem sabe se não haveria ainda que trilhar novo caminho: o de, tomando toda a simplicidade, todo o despojamento, toda a disciplina, toda a dedicação dos acima citados - e bem sabendo de nossas inferioridades e limitações -, ninguém se retirar do mundo, como muitos deles fizeram, ninguém se recolher a convento algum, mas no século permanecer, com bom humor, paciência, entusiasmo, fé no triunfo e absoluta confiança nas qualidades do homem, quaisquer que sejam as aparências.
Combater sem agressividade, esperar sem se tornar passivo, acreditar haver saída para tudo, conservar-se na marcha geral, embora escolhendo o seu próprio caminho e jamais esquecendo o seu rumo, abertos sempre a novas ideias e acolhedores de todos os estímulos. Sem internas quebras, navegar o que parece impossível, sem desânimo, adiantar a tarefa sem temer o paradoxo, dar toda a eternidade à corrida do tempo, sem pressa, nunca cessando a marcha. (…)"
Agostinho da Silva (1906-1994)
fonte: facebook