Mostrar mensagens com a etiqueta Pe João Torres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pe João Torres. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 7 de julho de 2026

As palavras nunca viajam sozinhas

 

Há palavras que julgamos nossas.
Saem da boca, 
da mão que escreve ou da voz que canta, 
e pensamos que nasceram naquele preciso instante. 
Mas não.
As palavras que pronunciamos 
já fizeram outras viagens. 
Habitaram outras vidas. 
Consolaram quem chorava, 
levantaram quem tinha desistido, 
feriram corações, reconciliaram famílias, 
ensinaram crianças, 
inspiraram santos e, infelizmente, 
também alimentaram guerras.
Cada palavra traz consigo a memória 
de quem a disse antes de nós.
Quando um pai diz ao filho: 
"Estou contigo", 
há nesse abraço o eco 
de todos os pais que um dia souberam amar.
Quando alguém murmura: 
"Desculpa", 
essa palavra transporta 
séculos de humanidade à procura da paz.
Quando dizemos "Amo-te", 
não inventamos o amor. 
Apenas lhe emprestamos a nossa voz.
É por isso que as palavras nunca são inocentes.
Elas carregam histórias. 
Constroem ou destroem pontes. 
Deixam marcas que permanecem 
muito para além do instante em que foram pronunciadas.
Todos nós conhecemos frases que nunca esquecemos. 
Algumas disseram-nos quem éramos quando ninguém acreditava em nós. 
Outras fizeram-nos duvidar do nosso próprio valor durante anos.
Uma palavra dura pode durar uma vida inteira.
Uma palavra de esperança 
pode salvar alguém sem que nunca o saibamos.
Talvez por isso devêssemos falar mais devagar.
Escrever com mais consciência.
Responder com menos impulsividade.
Cantar com mais verdade.
Porque aquilo que sai de nós nunca fica apenas em nós. Viaja. 
Encontra outros corações. Faz morada em alguém. 
E, muitas vezes, regressa transformado.
No Evangelho, 
Deus não escolheu uma espada para mudar o mundo. 
Escolheu uma Palavra. 
E continua a confiar nas nossas palavras 
para levar luz onde há escuridão, 
esperança onde há desalento e paz onde reina o conflito.
Hoje, antes de falares, pergunta-te:
A pessoa que me vai ouvir 
ficará mais leve ou mais pesada por causa das minhas palavras?
A resposta a essa pergunta pode mudar o dia de alguém.
E talvez mude também o teu.
~Pe João Torres


sábado, 24 de maio de 2025

A DOENÇA DO PODER: A Síndrome de Hubris


Pouco conhecida, mas devastadora — a Síndrome de Hubris é uma verdadeira doença do poder.


Originada da Grécia Antiga, hubris significa “desmedida”. Era usada para descrever o comportamento de líderes que, tomados pelo orgulho excessivo e pela arrogância, perdiam o senso dos próprios limites. Na prática, é o momento em que o poder sobe à cabeça e o indivíduo começa a acreditar que está acima de todos — e de tudo.


Essa síndrome é marcada por uma transformação sutil, mas profunda: ao conquistar posições de liderança, algumas pessoas desenvolvem um comportamento autoritário, narcisista e imprudente — muitas vezes sem se darem conta disso.


Você já viu isso acontecer?

Líderes que ignoram opiniões, tomam decisões impulsivas, menosprezam subordinados, cercam-se de bajuladores e acreditam ser infalíveis. Chefes que usam a estrutura da empresa para alimentar o próprio ego — não para servir, mas para ser servidos.


Sintomas mais comuns da Síndrome de Hubris:

 • Obsessão pela própria imagem e reputação

 • Necessidade extrema de admiração e validação

 • Desprezo pelas ideias e sentimentos dos outros

 • Abuso de poder e autoridade

 • Arrogância mascarada de autoconfiança

 • Isolamento da realidade e recusa em ouvir críticas

 • Comportamentos autoritários, infantis ou caprichosos

 • Falta de prestação de contas: “ninguém pode me questionar”


Com o tempo, esse tipo de liderança destrói ambientes, sufoca talentos e corrói os pilares da organização.

É por isso que muitos dos problemas de clima e desempenho nas empresas têm origem em algo que poucos ousam dizer em voz alta: a doença do ego no poder.


Sigam o nosso Instagram: SobreLiteratura


fonte: SobreLiteratura





segunda-feira, 21 de abril de 2025

Francisco, o Papa que nos ensinou a descer

 

Morreu o Papa Francisco.

E no entanto, parece que nasceu agora —

no silêncio que deixou, na saudade que acendeu, na esperança que semeou.

Partiu o homem que nos ensinou que Deus se encontra na simplicidade,

no toque de uma mão gasta, no cheiro a sopa servida a quem tem fome,

no abraço que atravessa o dogma.

Francisco não quis ser príncipe, quis ser servo.

Desceu do trono, tirou a púrpura, calçou sapatos velhos

e pôs-se a caminho — com os outros, para os outros, entre os outros.

Recusou a grandeza, escolheu a simplicidade.

Trocou os aposentos dourados pelo tecto modesto partilhado com trabalhadores.

Trocou a cruz de ouro por uma de ferro.

Trocou o poder pela proximidade.

Obrigado, Francisco,

por nos mostrares que a santidade é feita de gestos concretos.

Por confessares os teus pecados diante dos fiéis.

Por instalares chuveiros para os sem-abrigo na Praça de São Pedro.

Por dares um palácio a quem nada tem.

Por chorares os mortos de Lampedusa,

por beijares os pés de inimigos,

por gritares que a guerra é sempre derrota,

por chorarmos contigo os mortos de todas as guerras...

Por não encobrires escândalos.

Por quereres ouvir os esquecidos.

Por deixares entrar os recasados.

Por defenderes a Casa Comum, e os que vivem com tão pouco.

Rezaste sozinho à chuva, e todos nos sentimos menos sós.

Lavaste os pés aos esquecidos, e lavaste também o rosto endurecido da Igreja.

Foste humano até ao fim — e por isso, tão divino.

Hoje, do Céu, sorrirás com a ternura dos justos.

E quem crê no Deus da Vida saberá:

a tua morte não é um fim, mas o sopro manso de quem volta ao coração de Deus.

Papa Francisco… gosto tanto de ti.

Com a tua vida, ensinaste-me a amar Jesus com outro encanto.

Obrigado. Por tudo o que fizeste.

Mas mais ainda… por tudo o que foste.

~Pe João Torres



sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Os Milagres que nos Encontram

 


Há dias em que andamos pela vida de cabeça baixa, distraídos, achando que tudo é acaso, que nada tem um fio, uma lógica maior. Mas, ainda assim, os milagres encontram-nos. Não importa se acreditamos ou não; eles chegam, silenciosos, na curva inesperada de uma manhã, no sorriso oferecido sem razão, no abraço que vem quando mais precisamos e menos esperamos.

São os pequenos gestos que carregam o inexplicável. A mão que segura a nossa no meio de um dia difícil. A mensagem que chega como se alguém lesse o que está escrito no nosso silêncio. Aquele estranho que segura a porta com um sorriso, como se fosse um anjo disfarçado, lembrando-nos que, no caos, há sempre um espaço para o cuidado.

Há mistérios que se infiltram no quotidiano. O pão que nunca falta, mesmo quando achamos que a mesa está vazia. O alívio que sentimos ao ouvir uma música que parece escrita para nós. O pôr do sol que, sem pedir licença, ilumina até o canto mais escuro da alma. É como se houvesse algo ou alguém, não importa o nome que damos, ajustando as costuras do mundo para que tudo, de alguma forma, faça sentido.

Às vezes, os milagres estão nos encontros. Na palavra dita no momento certo, no gesto que parece pequeno, mas transforma um dia inteiro. É como se Deus estivesse no toque leve de uma criança, no café quente preparado sem ser pedido, na flor que nasce entre as pedras da calçada.

E talvez não seja necessário acreditar para sentir. Porque os milagres não pedem fé, apenas atenção. E quando os vemos, percebemos que, no meio da nossa descrença, há um espaço onde o inexplicável insiste em morar. Um espaço onde o mundo, por breves instantes, faz sentido. E isso, em si, já é um milagre.

Texto adaptado (provável autoria, segundo ChatGPT: Ana Jácomo)

fonte:

Pe João Torres